Exposição “Arquivo ou Caleidoscópio?”

by Nuno Nunes-Ferreira
A obra de Nuno Nunes-Ferreira, um artista que se destaca no panorama artístico nacional contemporâneo, apresenta uma perspetiva singular sobre a realidade social e política, marcada por um esforço constante de alargamento dos horizontes e de questionamento. No âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, a exposição “Arquivo ou Caleidoscópio?” surge como uma oportunidade única para refletir sobre os desafios do presente e do futuro, colocando em perspetiva os valores subjacentes à Revolução.
Através da sua narrativa documental e visual, a exposição convida à reflexão crítica e ao debate sobre temas centrais da história e da convivência em sociedade, estabelecendo um diálogo entre o passado e as questões do mundo contemporâneo. Ao explorar as complexidades da realidade atual, esta mostra reafirma igualmente o compromisso da Fundação Vasco Vieira de Almeida em promover a arte como um espaço de pensamento crítico e de transformação social.
Em “Arquivo ou Caleidoscópio?”, o visitante encontra obras construídas ao longo de décadas de investigação que caracterizam a forma de trabalhar e pensar do artista. O seu método de trabalho assenta na recolha e classificação de documentos diversos, fotografias, cartas e até radiografias, que funcionam como fontes para compreender e reinterpretar a realidade sob múltiplos pontos de vista.
Neste ano de celebração do 25 de Abril, o arquivo histórico desenvolvido pelo artista assume particular relevância, ao reunir documentação associada a uma data que marcou profundamente a história de Portugal e se tornou símbolo de liberdade. O próprio título da exposição, em formato de questão, “Arquivo ou Caleidoscópio?”, em contraposição com o arquivo, associado à preservação, conservação e organização documental da história, e o caleidoscópio, objetivo que permite ver imagens de grande beleza na reflexão da luz no seu interior facetado, imagens fragmentadas e construídas, aparece como uma provocação, convidando o visitante a refletir sobre as múltiplas formas de olhar e interpretar a história.
Embora as fontes utilizadas pelo artista sejam extensas, a sua seleção é necessariamente parcial, refletindo um olhar crítico que procura ampliar as possibilidades de leitura da realidade. A questão presente no título permanece em aberto, convidando cada visitante a confrontar os jornais e os documentos da época à luz da sua própria experiência e memória, transformando a exposição num arquivo vivo e pessoal.
Coordenação e produção:
Maltilde Horta e Costa, Board Member da Fundação Vasco Vieira de Almeida e Corporate Affairs Director da Vieira de Almeida
Curadoria e design do espaço expositivo:
Verónica de Mello
Exposição integrada no programa oficial da ARCO para Collectors