Exposição “Linha de União”

by Camila Lobos Díaz
A exposição “Linha de União”, da artista chilena Camila Lobos Díaz, vencedora da Bolsa do Conselho Nacional de Cultura do Chile (FONDART), apresenta uma instalação que convida à reflexão sobre as linhas que, simultaneamente, dividem e unem os povos. A obra aborda questões contemporâneas relacionadas com a identidade, a migração e a complexidade das fronteiras geográficas e políticas da Europa. A mostra integra a série intitulada "Novos Olhares", uma iniciativa da Fundação Vasco Vieira de Almeida que procura promover a cultura contemporânea nas suas diversas manifestações, incentivando o pensamento crítico, a multiculturalidade e a interdisciplinaridade através de um novo olhar.
“Linha de União” propõe pensar o limite como lugar de encontro. A obra remete para o conceito de Europa defendido por Jacques Delors, acérrimo defensor da integração europeia do pós-guerra, transformando as linhas divisórias das fronteiras em linhas que ligam e constroem a Europa. Neste contexto, sublinha-se a importância de preservar a identidade e a cultura de cada povo como forma de compreender a Europa de hoje e imaginar a Eueopa que queremos construir.
A exposição convida, assim, a uma reflexão crítica sobre território, identidade e questões migratórias, bem como sobre as dimensões, os limites e os desafios administrativos e legais que moldam a realidade europeia. Serão as barreiras políticas mais fortes do que as geográficas? Como interpretamos essas fronteiras territoriais? De que forma se interrelacionam os 27 Estados-Membros após 31 anos de união política, jurídica e democrática na União Europeia? Quais são e como são as barreiras da Europa enquanto continente?
A obra de Camila Lobos Díaz procura explorar estas questões ao singularizar cada uma dessas fronteiras, transformando as linhas traçadas pela geografia e pela política em elementos escultóricos suspensos no teto por fios de nylon. O visitante é, assim, convidado a percorrer esta “Europa” abstrata, composta por 435 fronteiras desenhadas em bronze, que, simultaneamente, evocam separação e ligação.
Coordenação e produção:
Maltilde Horta e Costa, Board Member da Fundação Vasco Vieira de Almeida e Corporate Affairs Director da Vieira de Almeida
Curadoria e design do espaço expositivo:
Verónica de Mello
Exposição integrada no programa oficial da ARCO para Collectors